Vai pro Rodeio de Vacaria? Tenho um recado pra ti.

Então tu vais pra Vacaria, hein? É a primeira vez? Então te prepara, por que teu conceito de rodeio certamente será atualizado. Você vai ficar mais exigente e já não achará muita graça nos rodeios menores que participar. {Sinto muito, mas é verdade}.

Ah… Não é a primeira vez! Então eu sei, que bem aí no fundo do teu coração, guarda uma lembrancinha {ou muitas lembranças} de cada ano que já participou. Foram beijos ou abraços, encontros ou desencontros, choro ou muitas risadas, uma canção ou uma dança, um show ou um cachorro-quente, momentos compartilhados com gente que alguma coisa tem em comum contigo. É prenda? Tenho certeza de que lembra de todos os vestidos que já usou em Vacaria!!!

Vai dançar? Então prepare teu coração. Por que aquele palco mágico simboliza para quem dança muito mais do que um troféu. São horas da sua vida, são sacrifícios pessoais, que você entrega em 20 minutos de alta energia. E quando a gaita chora e você sente essa vibração, nada mais importa além de viver aquele momento.

Não tem como explicar, só sentindo para saber. Não crie expectativas {embora isso seja bem difícil}.

 

Mas antes de te dar o meu recado, quero te contar uma história.

Na década de 70, um jovem casal saiu do interior de Vacaria, com seus 10 filhos, rumo a Caxias do Sul. A decisão se baseou em boas conversas com familiares que já na cidade grande, enxergavam melhores oportunidades para seus filhos.E assim, para essa família, na década de 70, Vacaria não simbolizava mais oportunidades.

Na mesma época, um grupo de pessoas acreditava em um projeto que havia sido criado nos anos 50. Na mesma Vacaria da família que abandonara o campo rumo a outra cidade, o rodeio que nasceu intermunicipal passou a ser internacional. E assim, para esse grupo de pessoas, na década de 70, Vacaria simbolizava muitas oportunidades.

Sim, Caxias do Sul trouxe muitos desafios e prosperidade para essa família. Os filhos cresceram, os netos vieram, e o trabalho nunca faltou para que tivessem uma vida digna.

Sim, o evento intermunicipal se fortaleceu como internacional, e hoje, em 2018, atrai para Vacaria milhares de pessoas que amam as tradições gaúchas, vindas dos mais diferentes destinos do mundo. Essa Vacaria, oportuniza e fomenta emoções, sentimentos, negócios, cultura, valor, dinheiro, chances, paixões, prêmios, beijos, abraços, encontros, desencontros, choro, muitas risadas, canções,  danças, shows, cachorros-quente e muito mais. Mais do que isso, movimenta gente, que larga tudo para curtir essa Vacaria.

Meu recado para ti, então é: viva intensamente o Rodeio de Vacaria. Sinta sua energia. Compartilhe sua vida com pessoas, que assim como você, esperam 2 anos para curtir cada minutinho dessas 2 semanas, e perceba como privilegiados somos. Nossas tradições são capazes de movimentar corações dos quatro cantos do mundo para se juntarem em uma pequena cidade do interior de nosso Rio Grande. E pense um pouquinho? Qual Vacaria você enxerga? A Vacaria que deve ser celebrada ou aquela que deve ser abandonada? (E leve umas botas, por que sempre tem pelo menos um dia que chove no Rodeio de Vacaria. <3)

 

  • Dedico esse post a João Inácio Antunes Padilha, vô querido, a quem devo a honra de ser gaúcha, e que deixou seu amado Refugiado em busca de oportunidades em Caxias do Sul, na década de 70. Deixa seu legado além de sua existência e seu amor por Vacaria perpetua em nós em celebração em cada nova edição do Rodeio Internacional de Vacaria.

 

Se preferir, escute o post  Vai pro Rodeio de Vacaria? Tenho um recado pra ti..

Dia de Reis e a tradição continua

Amanhã, dia 06 de janeiro, comemora-se o Dia de Reis.

No alvoroço do fim de ano, entre compras de presentes, comilanças de ceias, selfies na praia e bebelanças exageradas, os verdadeiros motivos pelos quais se comemora o Natal acabam muitas vezes se perdendo. Imagine só, uma tradição tão singela como os Ternos de Reis.

Em um tempo antigo, onde a simplicidade do meio rural era a regra e não a exceção, o dia 06 de janeiro findava o Ciclo Natalino. Entre cantigas poéticas e música característica, criava-se a expectativa desejada da visita de uns “cantadô”, que traziam a simbologia da bênção para o início de um ano novo.

Segundo obra de Paixão Côrtes, sobre a qual falei no post Dia de Reis, é dia de presentear, o dia de troca de presentes nas comemorações natalinas nos primórdios da vida social no Rio Grande do Sul, era no Dia de Reis {o que faz mais sentido – na minha opinião – uma vez que remete a simbologia de quem levou ao Menino Jesus mirra, ouro e incenso}.

Trazendo novamente essas referências, nunca esquecendo minhas origens rurais {das quais me orgulho muito <3}, achei uma maneira de, assim como no ano passado, passar a diante essa tradição {mesmo que de forma virtual}. Desejo retribuir com um presente as pessoas que acompanham meu trabalho com os pontinhos. E vou fazer isso através de um SORTEIO… Ueba!!!

Quer ganhar esse camafeu da foto? Participa do sorteio!!!

Para participar do sorteio, você deve:

  1. Curtir a página Um Pontinho no Facebook: clique aqui.
  2. Compartilhar em modo público a foto oficial do sorteio no Facebook: clique aqui.
  3. Enviar mensagem para o WhatsApp (54) 991178240 com seu nome completo e cidade com a mensagem EU QUERO O CAMAFEU CATE (ou para o email cate@umpontinho.com.br com seu nome completo / cidade / telefone de contato)
  4. Cruzar os dedos e torcer

ATENÇÃO: CADA PARTICIPANTE, APÓS FAZER AS ETAPAS ACIMA, RECEBERÁ UM NÚMERO PARA A PARTICIPAÇÃO NO SORTEIO.

CHANCE EM DOBRO PARA JÁ CLIENTES UM PONTINHO {SEGUIDAS AS REGRAS, RECEBE 2 NÚMEROS <3 }. 

O sorteio será realizado no dia 24/01/2018, na Oficina  de Bordado na Microempa e divulgado na Página do Facebook. Serão válidas participações até as 12h do dia 24/01.

E mais uma vez me despeço com gratidão pelo ano de 2017, que se findou com tantos desafios e oportunidades. Gratidão a cada um que acompanha meu trabalho e me encoraja para sempre continuar. Que todos tenhamos um 2018 cheio de boas energias, com as bênçãos do criador. Que possamos conquistar o mundo, sem nunca esquecermos de onde viemos.

“Eu festejo o Ano Novo

Com muita simplicidade

Deus do céu lhe dê saúde

E muita felicidade”

Se preferir, ouça esse post aqui.

Por que você comemora o Natal?

Por que você comemora o Natal? Uma pergunta simples, que até parece tola, mas pergunto isso a você para que não esqueça de que o Natal comemora a simplicidade, o amor e a esperança.

Não se deixe levar pela ilusão do consumo.

Acredite: o maior presente que você pode dar a quem você mais ama é estar presente.

Desejo que esteja com as pessoas que fazem sua vida valer a pena e que possa abraça-las com a certeza de que este momento significa muito para vocês.

Feliz Natal e muitos pontinhos pra gente.

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Feliz Natal!!! ❤❤❤

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3 dicas para empreender como artesão profissional do jeito certo

 

Empreender é um verbo que tem sido muito utilizado nos últimos tempos. Para muitos o empreendedorismo torna-se algo natural, a partir de uma necessidade latente de crescimento de seu trabalho. Para outros, no entanto, passa a ser uma alternativa para a falta de oportunidade no mercado de trabalho {desemprego mesmo}.

Fomos {e ainda somos} educados a acreditar que um salário no quinto dia útil, as reservas de dinheiro que todo empregador é obrigado a recolher mensalmente e mais nossa contribuição ao INSS seria suficiente para garantir futuros imprevistos ou uma aposentadoria após um longo tempo de dedicação {ou troca de tempo por essas “garantias”}. Com essas crenças limitantes diversas gerações cresceram, se adequaram a pequenas mudanças nas regras, e continuou acreditando nessa fórmula, mas uma coisa não foi feita: não investiu-se em educação financeira adequada. Não aprendemos a poupar, ao contrário, fomos e somos estimulados a consumir, a comprar, a desejar produtos e serviços, sem muitas vezes de fato precisar. O Brasil está em reset em diversas esferas e a reforma das leis trabalhistas empurra cada vez mais brasileiros a tomar rédeas de seu trabalho e de seus ganhos. Acredito que muitas das mudanças propostas e aprovadas na reforma trabalhista são necessárias, só penso que estão sendo feitas de forma visceral, quase que letal, sem planejamento, sem um plano, sem comum acordo, sem uma explicação. Fazendo “por que tem que fazer, porque não dá mais tempo, porque é assim que tem que ser e fiquem quietos”.

E então nesse cenário de insegurança e incerteza, muita gente habituada há anos com as regras da CLT, está se lançando no oceano do Empreendedorismo. Se libertar de uma realidade relativamente controlada, onde na maioria das vezes você tem horários, rotinas, competências e processos bem definidos para então ter que pensar, planejar e executar ao mesmo tempo tudo isso, não é fácil {experiência própria}. Esse exemplo {quero deixar bem claro} trata-se da grande maioria dos empreendedores do Brasil, são pequenas, micro empresas e MEIs, que movimentam a nossa economia sem nenhum tipo de benefício semelhante aos “presentes” que grandes empresários recebem, como temos visto ultimamente nos noticiários. Endividar-se e levar rasteiras financeiras nessa nova realidade é bem comum aos novos empreendedores, porque é diferente, é uma mudança total de ciclo financeiro quando você deixa para trás a garantia do salário para ter que produzir diariamente o seu lucro. Lucro é outra palavra difícil de ser compreendida, já que muito é confundida com faturamento por esse novo gestor.

E, entre esses tantos empreendedores, encontram-se milhares de artesãos, que com algum tipo de habilidade pessoal, se formaliza como empreendedor mas continua gerindo seu trabalho de forma não muito profissional.

Mas o que é preciso para um artesão profissional conseguir gerir seu trabalho de forma adequada, que o faça gerar lucro e valor através de seu trabalho?

Na minha opinião, são muitos os pontos que devemos investir nossa atenção, mas elenquei 3 para iniciarmos nossa reflexão:

 

  1. DEFINA SEU HORÁRIO DE TRABALHO

Muitas vezes, o artesão trabalha em sua própria casa e isso é uma cilada para a produtividade. Estando em casa temos as rotinas da casa, temos os habitantes da casa {incluindo cachorros, gatos, filhos…}, temos a geladeira e seus quitutes, temos a televisão, temos o sofá… Tudo que, se não nos disciplinarmos, rouba o nosso tempo e o dia passa rapidinho. No final da tarde você fez um monte de coisas, mas trabalhar e produzir: NÃO. Definir um horário de trabalho significa que você está fazendo um acordo com você e com todos que convivem com você em casa. No horário definido você vai TRABALHAR, não vai assistir televisão, não vai lavar roupa {mesmo que o sol esteja rachando e possa secar a roupa rapidinho}, não vai brincar com os cachorros, não vai entrar nas redes sociais… Você vai produzir. Acredite: seu tempo é seu bem mais precioso {inclusive sob o ponto de vista financeiro}.

2. REGISTRE SEU TRABALHO

Registre em diversas esferas: registre através de fotografias, registre os clientes para quem vendeu, registre os preços que cobrou, registre os investimentos que fez, registre o quanto custa para você fazer o que faz… Crie planilhas no computador com as informações que deseja registrar, faça listas ou escreva em um caderno {bem lindo} onde você facilmente encontrará as informações quando desejar. Se organize, pense e planeje quais informações são vitais para seu trabalho. Isso facilitará suas decisões futuras, você terá base concreta para se guiar, aumentado as chances de decisões acertadas.

3. SEPARE O SEU DINHEIRO PESSOAL DO DINHEIRO DO SUA EMPRESA

Quando a gente administra o dinheiro de nossa empresa é bem comum a gente misturar tudo. Mas o correto é não fazer isso. Se você ler alguns artigos sobre finanças para empreendedores, certamente vai chegar a conclusão de que deve estabelecer um valor mensal como salário para você, e programar seus gastos e investimentos pessoais com esse dinheiro. Porém, não deve inventar um número dos sonhos para ser sua retirada mensal, você precisa estabelecer esse valor baseado em registros.

Responda rapidamente (para você):

  1. Qual seu faturamento mensal dos últimos 3 meses?
  2. Quanto tempo você demora para produzir uma única peça de seu artesanato?
  3. Qual sua capacidade atual de produção?
  4. Você vende tudo o que produz?
  5. (Se a resposta 4 for não} Se vendesse tudo o que produz, qual seria seu faturamento mensal?
  6. (Se a resposta 4 for sim} Como você pode aumentar sua produtividade?
  7. Como você forma seu preço de venda?
  8. Qual sua lucratividade?

Eu poderia fazer uma infinidade de outras perguntas para que pudéssemos refletir sobre nosso trabalho e como administrar de forma mais adequada nossas finanças, enquanto empreendedores e artesãos, mas tenho certeza de que para começarmos a pensar sobre esse assunto, essas 8 questões são um bom início.

O que desejo, verdadeiramente, é que o artesanato possa ser valorizado como trabalho cultural, mas principalmente como gerador de valor e renda, por que essa é a mais verdadeira face de nosso trabalho. Acredito na capacidade do brasileiro de se adaptar as mudanças, de buscar alternativas para não deixar que as coisas fiquem ruins. Nosso trabalho é simples, mas é digno e capaz de criar riqueza de forma mais rápida do que muitas empresas engessadas ou cheias de burocracia. Então, diante de novas necessidades do mercado de trabalho, onde o empreendedorismo tem se apresentado como salvador das contas do mês, trabalhos artesanais podem e devem ser valorizados. Se é para começar, que comecemos da forma certa.

Bordar: um ato revolucionário

“Em 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram quando o complexo de fábricas Rana Plaza desabou em Dhaka, Bangladesh. Muitos outros ficaram feridos. Hoje, catástrofes sociais e ambientais continuam acontecendo na indústria da moda, em vários lugares do mundo.
Assim foi criado o Fashion Revolution Day. O dia em que estilistas, celebridades, lojas e marcas de todos os tipos, produtores de algodão, operários, ativistas, ONGs, jornalistas – e qualquer pessoa que se preocupa com o que veste – se reúnem para dizer o mesmo: #quemfezminhasroupas” Esse texto vem de um post do da página no Facebook do Movimento Fashion Revolution Brasil

Esse movimento questiona: onde o consumismo vai nos levar?

Será que o mundo, o Planeta Terra, tem condições de produzir matéria-prima suficiente para atender essa demanda?

Será que o fato de querermos comprar cada vez mais coisas, de preferência bem baratas, não faze com que alguém em algum lugar do mundo pague com sua própria vida?

Você já havia parado para pensar nisso?

Na correria do dia-a-dia, no piloto-automático que nos deixamos entrar, fazemos muitas coisas sem questionar, sem analisar, fazemos porque tem que fazer, porque todo mundo faz. Mas você não é todo mundo, já dizia sua mãe. Pare agora e dá uma olhadinha da etiqueta de sua roupa: de onde ela vem? Possivelmente uma de suas peças de vestimenta tenha um “Made in um lugar distante”. Se tem demanda, alguém vai fazer… Nem que para isso custe vidas, situações degradantes, humilhantes, desumanas. O lucro por si só não se justifica. O lucro deve ser a consequência, não o objetivo final.

Diante desse cenário, desenhar seu próprio vestido, comprar um lindo tecido na loja tradicional da cidade e pedir para a costureira do bairro confecciona-lo pra você passa a ser um ato revolucionário: fomenta a criatividade, movimenta a economia local, valoriza as pessoas que estão perto de você e ainda faz com que {aos poucos} a demanda por peças de baixo custo caia. Gera lucro em diversas esferas. E lucro é bom, não o lucro a qualquer custo, mas o lucro saudável, o lucro construído, que traz junto ao dinheiro o lucro social, o lucro para mais do que uma só parte envolvida.

Bordar também pode ser um ato revolucionário quando você, ao abrir seu armário, encontra aquela camisa que comprou por impulso e nunca usou, faz um belo risco com flores e arabescos e resolve bordar com linhas e miçangas e dar a ela vida útil, sem você precisar novamente recorrer a promoções e fast fashion em tempos de pouca grana.

Para um ato revolucionário, convido você a uma {breve mas cheia de afeto} oficina gratuita de bordado que estarei ministrando, dentro da Semana Fashion Revolution aqui em Caxias do Sul/RS. Leva aquela roupa que você quer dar um up, aumentar a vida útil, começar a usa-la mesmo porque estava entrulhando seu armário ou quem sabe até fazer algo especial para presentear sua mãe {Dia das Mães está logo aí <3}. Vou ensinar 2 diferentes pontos que já lhe farão ter infinitas possibilidades de criação.

Vamos bordar?

 

Podemos bordar a gola de uma camisa, quem sabe? Uma calça jeans, uma blusa, um vestido?

Oficina GRATUITA de Bordado

Dia 29/04/2017 às 16h

Local: Zero 54 – Rua Augusto Pestana, 154 – Caxias do Sul/RS

O material fica por sua conta, é necessário uma peça de roupa de preferência clara, (que será customizada durante a oficina), linha para bordado, agulha, tesoura e lápis.

Inscrições: clica aqui

VAGAS LIMITADAS

“Toda grande jornada começa com um pequeno passo”. Gosto tanto dessa frase. Vamos dar nosso primeiro passo?

Tradição e bordado

Eu bordo desde pequena. Minha mãe foi quem me ensinou. Não me lembro exatamente quando, nem como foi que aprendi, porque além de bordar, minha mãe me ensinou várias outras técnicas manuais. Mas foi o bordado que me desafiou, me fez querer saber mais, foi com ele que me identifiquei. E foi assim, meio sem querer querendo, que aprendi com minha mãe o que ela possivelmente aprendeu com a mãe dela, que por sua vez, minha avó materna também pode ter aprendido com alguém de sua convivência familiar. Isso é tradição: cultuar coisas boas do passado, sem regras institucionais, com adequações a cada ser, com adaptações dos tempos, passando de geração a geração.

Dos bordadinhos da infância, quando fazia meio que por brincadeira mesmo, até os tempos atuais, onde bordar se tornou um ofício para mim, tive a partir da infância uma vivência que reforçou ainda mais minha vontade de querer desenvolver essa habilidade: ingressar no meio tradicionalista do Rio Grande do Sul.

Nos anos 80, a convite de amigos, meu pai me inscreveu para começar a aprender as danças tradicionais do Rio Grande do Sul. Ensaiávamos em uma garagem {pequenina hoje, mas que na época parecia enorme}. Eu, sem saber exatamente o que aquilo significava {ou significaria} para mim, curtia mesmo eram as coreografias, os amigos, as  brincadeiras com tantas crianças diferentes. Em seguida, começaram as viagens a rodeios, aí todas as crianças queriam comprar o mesmo brinquedo, a gente gostava de ir nos parquinhos {com aqueles brinquedos enferrujados, mas tão “legais”} que todo rodeio tinha. Na hora de se arrumar para a apresentação, estávamos prontos, cumpríamos nosso dever, mas depois a gente queria era “zuar”. E assim, com o tempo, fui aprendendo que o mundo das tradições gaúchas era muito divertido, cheio de alegria e amizade, mas ao mesmo tempo fui compreendendo que cada coisa tinha um significado, um porquê, uma explicação.

Ainda pequena comecei a estudar para concursos de primeira prenda. Mais decorando informações  e conceitos do que propriamente compreendendo, percebi que aquilo me ajudava a ir bem na escola. Os assuntos que estudávamos nos encontros de prendas, eram as matérias que aprendia nas aulas da 4ª série {5º ano do ensino fundamental hoje – não sei se as matérias estudadas ainda são as mesmas}. Muitas vezes quando a professora explicava, eu já sabia todo o conteúdo por ter lido e relido sobre geografia, história e folclore do Rio Grande do Sul junto com outras prendas nos encontros preparatórios. A autoestima ficava lá em cima. Além de uma prova escrita,  para esse tipo de competição, era importante demonstrar habilidades artísticas {saber cantar, dançar, declamar tocar um instrumento – eu sempre dançava}, habilidades comportamentais {desenvoltura para falar em público, conversar com as pessoas, pensamentos coerentes – nos fazia treinar na frente do espelho} e também saber fazer alguma demonstração de “dotes domésticos” – não era esse o nome, mas na verdade compreendia algo assim do “universo feminino” #sqn {artesanato, culinária e mais alguma outra coisa que não lembro exatamente. Foi nesse momento que consegui reforçar ainda mais o quanto bordar me fazia bem e também impressionava as pessoas. Não somente pelo fato de uma criança fazer um trabalho “tão antigo”, mas também por começar a compreender que quanto mais eu fazia, melhor ia ficando.

 

  • Um de meus primeiros bordados – ainda na infância {a influência da cultura gaúcha, sempre me fez gostar de ilustrações, fotos e imagens de bonecas, mulheres, meninas com vestidos rodados}:

 

 

Com o passar do tempo, ainda no meio gauchesco, consegui encontrar sentido e significado em outras diversas vivências, mas certamente as da infância me marcaram de forma tão positiva que me fazem ter a certeza de que se hoje faço do bordado um trabalho tão cheio de amor, de dedicação e de propósito, sendo uma de minhas fontes de renda, foi com o reforço e estímulo que encontrei dentro de um CTG {Centro de Tradições Gaúchas}.

 

  • Um de meus mais recentes bordados – faixa com monograma, do trajar tradicional masculino :

 

Perceba que de tantas coisas que relato a respeito desse pequeno pedaço de  minha experiência no meio tradicionalista gaúcho, e que marcaram de forma tão verdadeira e significativa minha vida, não destaco concursos que ganhei, competições e rodeios em que fomos os melhores, porque para mim o que de fato ficou, de forma prática, foram as habilidades que desenvolvi e que facilitam minha “vida real” {vida real = vida fora do meio tradicionalista}, as amizades que perduram por tanto tempo, os valores que me fazem lembrar diariamente que a simplicidade do homem do campo tem muito mais força do que as aparências complexas que no mundo moderno tendemos a querer criar.

Talvez se voltássemos nosso olhar ao potencial que o meio tradicionalista do Rio Grande do Sul tem para capacitar pessoas, contribuindo economicamente, educacionalmente e socialmente não só ao nosso estado, mas ao mundo, teríamos uma compreensão mais adequada de nossa cultura além das fronteiras de Centro de Tradições.

Encerro esse breve texto com a citação de Barbosa Lessa, que já nos anos 50 atentava pelo propósito do tradicionalismo em sua tese O Sentido e o Valor do Tradicionalismo {o negrito é por minha conta}:

“O Tradicionalismo consiste numa EXPERIÊNCIA do povo rio-grandense, no sentido de auxiliar as forças que pugnam pelo melhor funcionamento da engrenagem da sociedade. Como toda experiência social, não proporciona efeitos imediatamente perceptíveis. O transcurso do tempo é que virá dizer do acerto ou não desta campanha cultural. De qualquer forma, as gerações do futuro é que poderão indicar, com intensidade, os efeitos desta nossa – por enquanto – pálida experiência. E ao dizermos isso, estamos acentuando o erro daqueles que acreditam ser o Tradicionalismo uma tentativa estéril de “retorno ao passado”. A realidade é justamente o oposto: o Tradicionalismo constrói para o futuro.

Nobre guerreiro, admirável protetor

Entregue mais um enfeite de porta de maternidade. Mais um bebê que está para chegar a esse mundo tão cheio de possibilidades, que será recepcionado por pontinhos lhe desejando muita saúde e felicidade.

Álvaro, que significa: Nobre guerreiro, admirável protetor.

Vejam bem, quem me pediu para fazer essa almofadinha foi a Gabi, minha prima, para dar de presente. Parece que foi ontem que fiz a almofadinha com o nome dela para colocar na porta de seu quarto de bebê <3. O tempo voa mesmo.

Para uma peça tão especial, decidi usar o linho e bordar nesse tecido é sempre um desafio prazeroso. O desafio inicia já no riscar: como os fios que formam o tecido são um pouco mais grossos do que o algodão, por exemplo, um fio acaba ficando mais longe do outro na trama, o que exige que se passe a caneta com mais cuidado para que o desenho fique compreensível.

 

No linho, os pontos se ajeitam melhor pela perpendicularidade da trama mas o tecido exige maior atenção para que os pontinhos sigam um padrão de tamanho, pois fica muito evidente se um ponto ficar muito diferente no meio do trabalho.

 

Para preencher as letras do nome “Álvaro” eu utilizei o ponto haste.

 

A arte foi baseada na solicitação da Gabi, e então bordei a coroa dourada, utilizando o ponto matiz, ponto atrás, ponto pirulito e nó francês.

 

Os ramos tem ponto haste, na haste (: , e ponto lancé nas folhas.

 

Como disse, o linho tem suas exigências. Bordei a frase com o significado do nome com uma letra cursiva, mas, na minha opinião, não ficou legal. Se eu não gosto, prefiro desmanchar e fazer novamente. Regra básica do bordado: DESMANCHAR FAZ PARTE.

 

Preferi utilizar um gráfico letra com pontos para fios contáveis, explorando a característica do linho para fazer isso. E gostei muito mais do resultado.

 

Acabamentos em bainha aberta {o linho é especial para fazer isso} e a assinatura para registrar esse momento.

 

O bordado foi feito em uma peça em formato de fronha, para facilitar a manutenção e limpeza, dessa forma, para lavar, basta retirar o pequeno laço em fita branca nº 00 que ata as partes frente e verso da capinha. Para pendurar, também fiz com fita nº 00 branca uma pequena alça removível, que, se futuramente o Álvaro ou a mamãe dele optarem em não utilizar mais como enfeite de porta, poderão agregar a decoração do quarto como uma pequena almofada, sem nenhuma característica do uso anterior.

 

Para entregar um presente especial, o carinho e a dedicação se revelam nos detalhes da embalagem.

 

Esse trabalho foi ainda acompanhado pelo desafio do Clube do Bordado, com a tag #100diasdebordado , que propõem que façamos uma sequência de 100 dias através de pontinhos, que possam nos inspirar umas as outras (ou uns ao outros, pq o bordado é democrático).

Se quiser acompanhar meu trabalho pelo Instagram, clique aqui

Se quiser conferir mais fotos desse trabalho no Flickr, clique aqui.

O sorteio, o ajudante e o bordado

Sexta-feira passada, dia 13, realizei o sorteio do pingente bordado, conforme havia prometido no post do Dia de Reis. Toda sexta-feira a tarde eu faço companhia para meu Vô João, que nas idas de seus 90 anos, necessita de companhia em tempo integral e a sexta-feira é o meu compromisso com ele. Por esse motivo, nas sexta-feiras acabo chegando em casa {cerca de 35 Km de distância da casa de meu avô} um pouco tarde, e entre descarregar o carro {carrego sempre muita coisa}, arrumar uma coisa aqui, outra ali, dar banho no João e outros tantos compromissos domésticos que uma mãe/esposa/bordadeira posa ter, paro mesmo depois da meia-noite.

Como havia firmado compromisso com tantas pessoas que curtiram e compartilharam o post, queria sim fazer na data combinada, mas quis fazer algo cheio de sentido e carinho, como toda essa movimentação gerada em função dessa pequena promoção me proporcionou. Eu poderia ter usado ferramentas digitais, sites de sorteio e essas parafernálias todas que estão o tempo todo pipocando na nossa frente quando usamos a internet, mas como foi nosso primeiro sorteio via blog e como {pelo menos por enquanto} foi possível fazer uma lista com os participantes, analisar, pensar, revisar, convoquei meu ajudante, o João Augusto, para fazer parte desse momento singelo. Mais do que isso, quis compartilhar com meu filho a alegria que tenho com meu trabalho, quis vivenciar momentos reais com ele, deixando o virtual como coadjuvante.

Da lista de mais de 75 compartilhamentos, 52 foram válidos, então escrevemos os números manualmente.

 

Exercitamos a escrita do João. Seu conhecimento dos números as vezes se embaralha, mas acredito que faça parte do aprendizado.

 

Em determinado momento o ajudante se cansou de escrever…

 

Recortar exercita a motricidade e a concentração. E aí eu ganhei uma daquelas frases tão cheias de gostosura que nossos pequenos dizem, que dá vontade de fazer um quadro pra nunca mais esquecer:

 

E ele curtiu tanto quanto eu!

 

E então:

 

E assim, a Nadia Beatriz Vieira, aqui de Caxias do Sul, foi a contemplada com o pingente bordado.

 

Farei a entrega ainda essa semana para a Nadia e como disse a ela ao telefone, desejo que esses pontinhos tragam muita sorte a ela, assim como tem trazido a mim. Certamente se não fosse o bordado não teria a oportunidade de compartilhar sentimentos e pensamentos tão positivos e verdadeiros com tanta gente que se identifica através dessa arte milenar. Certamente também não teria feito um sorteio tão divertido ao lado do assistente mais amado desse mundo. Depois de encerrarmos essa promoção, ficamos “sorteando” coisas até quase 01 hora da manhã. João inventava coisas para sortear, inventava os nomes a serem sorteados, eu escrevia, recortava, colocava no copo, ele tirava o papelzinho e anunciava o ganhador. Até nossos carneiros entraram na brincadeira.

Como diz a linda música Trem Bala, de Ana Vilela:

Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorrindo a se compartilhar

Dia de Reis, é dia de presentear

“Até então, a família gaúcha pastoril, louvava o nascimento de Jesus Menino, com orações, no presépio: cantava Ternos de Reis, saboreava uma especial ceia e assim festejava o Natal na intimidade dos próprios membros da sua Santa-família, com muita alegria, amor e paz, seguindo a tradição de origem açorita, e sem a escravidão obrigatória do presentear. E quanto da satisfação de presentes, correspondia a 6 de janeiro. momento histórico das oferendas dos Reis Magos, e não no dia de Natal, como na comemoração atual.”

Esse é um trecho da publicação Tirando Reses no Natal Pampeano, de J. C. Paixão Côrtes. Livreto esse que tive a honra de contribuir para a edição no ano de 2000, no qual Seu Paixão fala um pouco sobre a tradição pastoril do Rio Grande do Sul na época natalina.

 

Desde então {confesso}, tenho certa resistência a figura do Papai Noel. Gosto mesmo do sentido do Natal, da possibilidade de reflexão, da reunião familiar, da junção de gente querida.

Encerrando os festejos de nascimento de Jesus, comemoramos em 06 de janeiro, Dia de Reis.

Na vida rural em nosso passado {não exclusividade do Rio Grande do Sul} grupos de pessoas festejavam com música, visitação, comida boa e presentes. Mais do que o dia de desmontar a árvore, Dia de Reis também é dia de reflexão, é dia de festa, de visitar amigos, de presentear.

Comemorando essa data tão cheia de sentido, lembrando que é dia de presentear, vou sortear um pingente com pontinhos.

 

Para participar do sorteio, você deve:

  1. Curtir a página Um Pontinho no Facebook: clique aqui
  2. Compartilhar em modo público esse post no Facebook
  3. Cruzar os dedos e torcer

O sorteio será realizado na próxima sexta-feira, dia 13/01/2017 e divulgado na Página do Facebook. Serão válidos os compartilhamentos até as 12h do dia 13/01.

Me sentindo abençoada, rodeada de gratidão, me despeço, nesse post com versos e oração:

Tinha Deus determinado / A humanidade remir / Libertando-a do pecado / E lhe dando outro porvir

Reclinado no presépio / Cheio de glória e de luz / Fruto da Virgem Maria/ Está o menino Jesus

Agora mesmo cheguemos / A beira de seu terreiro / Viemos para cantar / No dia seis de janeiro